segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Cenas Cortadas: Crepúsculo - Dia do Baile (Estendido)


-Quando é que você vai contar o que tá acontecendo, Alice?"
"Você vai ver, seja paciente", ela ordenou, sorrindo diabolicamente.
Nós estávamos na minha caminhonete, mas ela estava dirigindo. Mais três semanas e eu ia tirar o gesso da minha perna, e aí eu ia bater o pé no chão muito firmemente sobre esse negócio de motoristas. Eu gostava de dirigir.
Já era fim de Maio, e de alguma forma as terras ao redor de Forks encontraram um jeito de ficarem ainda mais verdes. Era lindo, é claro, e eu estava de alguma forma começando a me apegar com a floresta, na maior parte isso se dava ao fato de que eu passava muito mais tempo lá do que o normal. Nós ainda não éramos exatamente amigos, a natureza e eu, mas estávamos nos aproximando.
O céu estava cinza, mas isso era bem vindo também. Estava de um cinza perolado, nem um pouco escuro, não estava chovendo, e quase estava aquecido o suficiente pra mim. As nuvens eram grossas e seguras, o tipo de nuvens que haviam se tornado um prazer pra mim, por causa da liberdade que elas garantiam.
Mas apesar dos arredores agradáveis, eu estava me sentindo nervosa. Parcialmente por causa do comportamento estranho de Alice. Ela tinha absolutamente insistido em um dia de garotas nesse Sábado de manhã, me dirigindo até Port Angeles pra que nós tivéssemos manicure e pedicure, se recusando a me deixar usar o tom claro de rosa que eu queria, ordenado ao invés disso, que a manicure usasse um tom vermelho chamativo - chegando ao ponto de querer que eu pintasse as unhas do meu pé que estava com o gesso.
Aí ela me levou pra comprar sapatos, apesar de eu só poder experimentar um pé de cada par. Sob os meus estrênuos protestos, ela me comprou um par dos sapatos mais impraticáveis, caros demais com um salto agulha - eram coisas que pareciam perigosas, seguros apenas por laços de fita grossos que se cruzavam no meu pé e eram apertados num grande laço na parte de trás do meu calcanhar. Ele eram de um azul profundo, cor de jacinto, e eu tentei explicar em vão que não tinha nada pra usar com eles.
Mesmo com o guarda-roupas embaraçosamente cheio de roupas que ela comprou pra mim em Los Angeles - a maioria delas muito finas pra eu usar em Forks - eu tinha certeza de que não tinha nada desse tom. Mesmo se eu tivesse alguma coisa desse tom no meu guarda-roupa, minhas roupas não combinavam muito bem com saltos agulha. Eu não combinava com saltos agulha - eu mal podia caminhar em segurança andando de meias. Mas a minha lógica inexpugnável foi desperdiçada com ela. Ela nem discutiu de volta.
"Bem, eles não são da Biviano, mas eles vão ter que servir", ela murmurou afobada, e depois não falou mais nada enquanto empurrava o seu cartão para os empregados com cara de impressionados.
Ela comprou o meu almoço pela janela em um drive thru de um fast food, me dizendo que eu tinha que comer no carro, mas se recusando a me explicar o porque da pressa. Sem mais, no caminho de casa eu tive que lembrá-la várias vezes que o meu carro não podia ter a performance de um carro esporte, mesmo com as modificações de Rosalie, e pra por favor dar uma folguinha á pobre coisa. Geralmente, Alice era a minha motorista favorita. Ela não se incomodava em ter que dirigir a apenas vinte ou trinta quilômetros acima dos limites de velocidade, do jeito que outras pessoas não pareciam ser capazes de fazer.
Mas a agenda obviamente secreta de Alice era só a metade do problema, é claro. Eu também estava pateticamente ansiosa porque eu já não via o rosto de Edward a quase seis horas e esse era um recorde nesses mais de dois meses.
Charlie estava sendo difícil, mas não impossível. Ele estava acostumado á presença constante de Edward quando ele voltava pra casa, e nada encontrava nada do que reclamar quando nos via sentados na mesa da cozinha fazendo o dever de casa - ele até parecia gostar da companhia de Edward quando os dois gritavam juntos assistindo os jogos da ESPN. Mas ele não havia perdido nem um pouco da sua consternação original quando ele segurava a porta pra Edward sair precisamente as dez horas nas noites de semana.
É claro, Charlie era completamente inconsciente da habilidade de Edward de devolver seu carro a sua casa e entrar pela minha janela em dez minutos.
Ele era muito mais agradável com Alice, ás vezes chegava a ser embaraçoso. Obviamente, até que eu tivesse o meu grosso gesso removido e trocado por alguma coisa mais manuseável, eu precisava da ajuda de uma mulher. Alice era um anjo, uma irmã; toda noite e toda manhã ela aparecia pra me ajudar com a minha rotina diária.
Charlie estava enormemente agradecido por se livrar do horror de ter uma filha quase adulta precisando de ajuda pra tomar banho - esse tipo de coisa estava muito longe da sua zona de conforto, e da minha também, pra falar a verdade. Mas era por mais que gratidão que Charlie chamava ela de "Anjo" como apelido, e observava ela com olhos fascinados enquanto ela dançava sorrindo pela casa pequena, iluminando ela.
Nenhum humano podia deixar de se sentir afetado com a sua fascinante beleza e graça, e quando ela saia pela porta com um aficionado "Te vejo amanhã, Charlie", ela o deixava deslumbrado.
"Alice, nós vamos pra casa agora?", eu perguntei agora, nós dias entendendo que eu estava me referindo á casa branca perto do rio.
"Sim", ela sorriu, me conhecendo bem. "Mas Edward não está lá".
Eu fiz uma carranca. "Onde ele está?"
"Ele tinha algumas incumbências a tratar".
"Incumbências?", eu repeti vaziamente. "Alice", o meu tom se tornou implorativo. "por favor me diga o que está acontecendo".
Ela balançou a cabeça, ainda com um sorriso largo. "Eu estou me divertindo demais", ela explicou.
Quando nós chegamos em casa, Alice me levou direto lá pra cima, para o banheiro que era do tamanho de um quarto. Eu me surpreendi por encontrar Rosalie lá, esperando com um sorriso celestial, em pé atrás de uma cadeira baixa, cor de rosa.
Uma gigantesca fileira de ferramentas e produtos estava em cima da pia comprida. ?Sente", Alice comandou. Eu a levei em consideração cuidadosamente por um minuto, e depois, decidindo que ela estava preparada pra usar a força se fosse necessário, eu manquei até a cadeira e me sentei com toda a dignidade que pude. Rosalie imediatamente começou a pentear o meu cabelo.
"Eu não acho que você vá me dizer o porque de tudo isso", eu perguntei pra ela.
"Você pode me torturar", ela disse absolvida com o meu cabelo, "mas eu nunca vou falar". Rosalie segurou a minha cabeça na pia enquanto Alice esfregava um shampoo na minha cabeça que tinha cheiro de menta e grapefruit. Alice esfregou as mechas molhadas furiosamente com uma toalha, e depois espalhou quase uma embalagem inteira de alguma coisa - isso tinha cheiro de pepino - nas mechas úmidas e me enxugou de novo.
Depois elas pentearam a bagunça rapidamente; o que quer que fosse a coisa de pepino, aquilo fez o emaranhado se comportar. Eu posso querer comprar uma coisa daquelas. Cada uma delas agarrou um secador e começou a trabalhar. Enquanto os minutos se passavam, e elas continuavam descobrindo novas mechas de cabelo molhado, os rostos delas começaram a aparentar ficar um pouco preocupados. Eu sorri alegremente. Uma coisa que os vampiros não podiam apressar.
"Ela tem muito cabelo", Rosalie comentou com uma voz ansiosa.
"Jasper!", Alice disse claramente, mas não alto, "Me traga outro secador de cabelo!" Jasper veio resgatá-las, de alguma forma aparecendo com mais dois secadores, que ele apontou para a minha cabeça, profundamente divertido, enquanto elas continuavam com seus próprios trabalhos.
"Jasper..." Eu comecei esperançosamente.
"Desculpe, Bella. Eu não tenho permissão pra dizer nada".
Ele escapou alegremente quando tudo já estava seco - e fofo. O meu cabelo estava uns três centímetros afastado da minha cabeça.
"O que vocês fizeram comigo?", eu perguntei horrorizada. Mas elas me ignoraram, puxando uma caixa de rolinhos quentes.
Eu tentei convencê-las de o meu cabelo não cacheava, mas elas me ignoraram, colocando alguma coisa de um tom amarelo estranho em cada uma das mechas antes de enrrolá-las nos rolinhos quentes.
"Vocês encontraram sapatos?", Rosalie perguntou intensamente enquanto elas trabalhavam, como se a resposta fosse de vital importância.
"Sim- eles são perfeitos", Alice ronronou de satisfação.
Eu observei Rosalie pelo espelho, balançando a cabeça como se um enorme peso tivesse sido tirado dos seus ombros.
"Seu cabelo está legal", eu reparei. Não que ele não estivesse sempre perfeito - mas ela o tinha prendido pra cima essa tarde, criando uma coroa de cachos macios dourados no topo da cabeça dela.
"Obrigada", ela sorriu. Elas haviam começado com a segunda leva de cachos agora. "O que você acha de maquiagem?", Alice perguntou.
"É um saco", eu ofereci. Elas me ignoraram.
"Ela não precisa de muita - a pele dela fica melhor limpa", Rosalie pensou.
"Porém, batom", Alice decidiu.
"E rímel, e delineador de olhos", Rosalie adicionou, "só um pouco".
Eu suspirei alto, Alice riu. "Seja paciente, Bella. Nós estamos nos divertindo".
"Bem, já que vocês estão", eu murmurei.
Elas tinham prendido todos os cachos apertados e desconfortáveis na minha cabeça agora. "Vamos vesti-la". A voz de Alice estava alegre de antecipação. Ela não esperou que eu saísse do banheiro com as minhas próprias pernas. Ao invés disso ela me pegou no colo e me levou até o quarto grande e branco de Rosalie e Emmett. Na cama, havia um vestido. Azul cor de jacinto, é claro.
"O que você acha?", Alice chiou.
Essa era uma boa pergunta. Ele era levemente frisado, aparentemente era pra ele ser usado bem abaixo dos ombros, com longas mangas decoradas que se grudavam nos pulsos. O alegre espartilho era decorado com outro tom, com flores pálidas, de jacinto azul, que se pregueavam pra formar uma fina linha no lado esquerdo.
O material florido era longo nas costas, mas se abria na frente em cima de várias formas de cor de jacinto, que iam se tornando de um tom mais claro enquanto iam descendo mais.
"Alice", eu gemi. "Eu não posso usar isso!"
"Porque?", ela quis saber com uma voz dura.
"O top é completamente transparente!"
"Isso vai por baixo", Rosalie segurou uma peça completamente ominosa, de um azul pálido. "O que é isso?", eu perguntei temerosamente.
"É um corpete, bobinha", Alice disse, impaciente. "Agora você vai colocar isso, ou eu vou ter que chamar Jasper pra ele te segurar enquanto eu faço isso?", ela ameaçou.
"Era pra você ser minha amiga", eu acusei.
"Seja boazinha, Bella", ela suspirou, "Eu não me lembro de como é ser humana e eu estou me divertindo muito aqui. Além do mais, é pro seu próprio bem".
Eu reclamei e corei muito, mas elas não levaram muito tempo pra me enfiar no vestido. Eu tinha que admitir, o corpete tinha as suas vantagens.
"Uau", eu respirei, olhando pra baixo. "Eu tenho um colo".
"Quem poderia ter adivinhado", Alice gargalhou, deliciada com o trabalho dela. No entanto, eu não estava completamente vendida.
"Você não acha que esse vestido é um pouco... eu não sei, avançado demais... pra Forks?", eu perguntei hesitantemente.
"Eu acho que as palavras que você está procurando são alta costura", Rosalie riu.
"Não é pra Forks, é pra Edward", Alice insistiu. "Está exatamente certo".
Aí elas me levaram de volta para o banheiro, retirando os rolinhos com mãos voadoras. Pra meu choque, cascatas de cachos foram caindo. Rosalie colocou a maior parte deles pra cima, cuidadosamente enrolando eles em anéis que fluíam com linhas grossas nas minhas costas. Enquanto ela trabalhava, Alice rapidamente pintava uma linha fina embaixo dos meus dois olhos, colocou rímel, e espalhou batom vermelho cuidadosamente nos meus lábios. Aí ela saiu do banheiro e retornou prontamente com os meus sapatos.
"Perfeitos", Rosalie respirou quando Alice os segurou pra cima pra ela ver.
Alice me calçou com o sapato mortal como se fosse uma expert, e aí olhou para o meu gesso com especulação nos olhos.
"Eu acho que fizemos o que podíamos", ela balançou a cabeça tristemente. "Eu não acho que Carlisle nos deixaria...?", ela olhou pra Rosalie.
"Eu duvido", Rosalie respondeu secamente. Alice suspirou.
Nessa hora as duas levantaram as cabeças.
"Ele está de volta". Eu sabia a qual 'ele' elas se referiam, e eu senti vigorosas borboletas no meu estômago.
"Ele pode esperar. Há uma coisa mais importante", Alice disse firmemente. Ela me levantou de novo - uma necessidade, eu tinha certeza de que não conseguiria andar com aquele sapato - e me carregou para o quarto dela, onde ela cuidadosamente me colocou na frente do seu espelho grande, largo, de multi faces.
"Ai", ela disse. "Está vendo?"
Eu encarei a estranha no espelho. Ela parecia muito alta com o seu salto, com a longo, esbelta linha do vestido justo acrescentando á ilusão. O espartilho decotado - onde a impressionante linha do busto captou a minha atenção de novo - fazia o pescoço dela parecer muito longo, assim como a longa linha de cachos brilhantes nas costas dela. A cor de jacinto do tecido era perfeita, destacando a pele cor de marfim dela, e a cor rosada das bochechas coradas dela. Ela estava muito bonita, eu tinha que admitir.
"Ok, Alice", eu sorri. "Eu vejo".
"Não se esqueça", ela ordenou.
Ela me pegou de novo, e me carregou até o topo das escadas.
"Se vire e feche os olhos!", ela ordenou escada abaixo. "E fique fora da minha cabeça - não arruíne tudo".
Ela hesitou, caminhando mais devagar do que de costume enquanto descia as escadas até que ela pôde ver que ele havia obedecido. E aí ela voou pelo resto do caminho. Edward estava na porta, virado de costas pra nós, muito alto e escuro - eu nunca tinha visto ele de preto antes. Alice me colocou de pé, alisando o franzido do meu vestido, colocando os cachos no lugar, e aí ela me deixou lá, indo se sentar no banco do piano pra observar. Rosalie seguiu pra se sentar com ela na platéia.
?Posso olhar?" A voz dele estava intensa com a antecipação - isso fez meu coração bater descompassadamente.
"Sim... agora", Alice dirigiu.
Ele se virou imediatamente, e ficou congelado no lugar, seus olhos de topázio pareciam líquidos. Eu podia sentir o calor subindo no meu pescoço e se alojando nas minhas bochechas. Ele estava tão lindo; eu senti uma pontada do medo antigo, que ele fosse só um sonho, que ele não podia ser real. Ele estava usando um smoking, e ele pertencia a uma tela de cinema, não ao meu lado. Eu olhei pra ele com uma descrença fascinada.
Ele caminhou lentamente na minha direção, hesitando a um passo quando chegou perto de mim.
"Alice, Rosalie... obrigado", ele respirou sem tirar os olhos de mim. Eu ouvi Alice gargalhar de prazer.
Ele se aproximou, colocando uma mão embaixo da minha mandíbula, e se aproximando pra pressionar seus lábios na minha garganta.
"É você", ele murmurou contra a minha pele. Ele se afastou, e haviam flores brancas na sua outra mão.
"Frísia", ele me informou enquanto as prendia nos meus cachos. "Completamente redundante, em se tratando de fragrância, é claro". Ele se inclinou novamente, me olhando de novo. Ele deu o seu sorriso de fazer o coração parar. "Você está absurdamente linda". "Você roubou a minha fala", eu mantive a minha voz o mais suave que consegui. "Bem quando eu consigo me convencer de que você é real, você aparece desse jeito e eu estou com medo de que esteja sonhando de novo".
Ele me puxou rapidamente pros seus braços. Ele me segurou bem próximo ao seu rosto, seus olhos em chamas quando ele me puxou ainda mais pra perto.
"Cuidado com o batom!", Alice comandou.
Ele sorriu rebeliosamente, mas baixou sua boca para o vão na minha clavícula.
"Você está pronta pra ir?", ele perguntou.
"Alguém vai me contar que ocasião é essa?"
Ele sorriu de novo, olhando por cima do ombro para as irmãs. "Ela não adivinhou?" "Não", Alice gargalhou. Edward riu deliciosamente. Eu dei um olhar zangado.
"O que é que eu estou perdendo?"
?Não se preocupe,você vai descobrir logo logo", ele me assegurou.
"Coloque ela no chão, Edward, pra que eu possa tirar uma foto", Esme estava descendo as escadas com uma câmera prateada nas mãos.
"Fotos?", eu murmurei, enquanto ele me colocava cuidadosamente de pé no meu pé bom. Eu estava com um mal pressentimento sobre isso. "Você vai aparecer no filme?" eu perguntei sarcasticamente.
Ele sorriu pra mim.
Esme tirou várias fotos de nós, até que Edward sorrindo insistiu que íamos nos atrasar.
"A gente se vê mais tarde", Alice disse enquanto ele me carregava pela porta.
"Alice vai estar lá? Onde quer que lá seja?" eu me senti um pouco melhor.
"E Jasper, e Emmett, e Rosalie".
Minha testa se enrugou de concentração enquanto eu tentava deduzir o segredo. Ele achou graça da minha expressão.
"Bella", Esme me chamou. "Seu pai está no telefone".
"Charlie?" Edward e eu perguntamos simultaneamente. Esme me trouxe o telefone, mas ele o agarrou quando ela tentou passá-lo pra mim, me segurando sem esforço com um braço só. "Ei!", eu protestei, mas ele já estava falando.
"Charlie? Sou eu. Qual é o problema?" Ele parecia preocupado. Meu rosto empalideceu. Mas depois a expressão dele ficou divertida e depois perversa.
"Dê o telefone pra ele, Charlie - deixe que eu fale com ele" O que quer que estivesse acontecendo, Edward estava se divertindo um pouco demais pra que Charlie estivesse em algum tipo de perigo. Eu relaxei um pouco.
"Olá, Tyler, aqui é Edward Cullen", a voz dele estava amigável, na superfície. Eu o conhecia bem o suficiente pra identificar o leve tom de ameaça. O que é que Tyler estava fazendo na minha casa? A horrível verdade começou a descer em mim.
"Eu lamento se houve algum mal entendido, mas Bella não está disponível essa noite", o tom de Edward mudou, e a ameaça na voz dele estava repentinamente mais evidente enquanto ele falava. "Pra ser perfeitamente honesto, ela vai estar indisponível todas as noites, em se tratando de alguém que não seja eu mesmo. Sem ofensa. Eu lamento pela sua noite" Ele não parecia lamentar nem um pouco. Depois ele fechou o telefone, com um enorme sorriso no rosto.
"Você está me levando pra o baile!", eu acusei furiosamente. O meu rosto e meu pescoço ficaram ruivos de raiva. Eu podia sentir a raiva enchendo os meus olhos de lágrimas.
Ele não estava esperando a força da minha reação, isso estava claro. Ele pressionou seus lábios e seus olhos escureceram.
"Não seja difícil, Bella".
"Bella, nós todos estamos indo", Alice encorajou, repentinamente no meu ombro.
"Porque você está fazendo isso comigo?", eu quis saber.
"Vai ser divertido", Alice ainda estava brilhantemente otimista.
Mas Edward se curvou pra murmurar no meu ouvido, sua voz aveludada estava séria. "Só se é humano uma vez, Bella. Me distraia".
Aí ele virou a força total dos seus olhos dourados pra mim, fazendo a minha resistência derreter no calor deles.
"Tá bom", eu fiz biquinho, incapaz de encará-lo com tanta eficiência como eu teria gostado. "Eu vou quietinha. Mas você vai ver". Eu avisei mal humorada. "Essa é a má sorte com a qual você esteve se preocupando. Provavelmente eu vou quebrar a minha outra perna. Olhe pra esse sapato! É uma armadilha mortal!" eu levantei minha perna pra provar.
"Hmmm", ele olhou para a minha perna por mais tempo do que era necessário, e depois olhou pra Alice com os olhos brilhando. "De novo, obrigado".
"Vocês vão se atrasar pra o Charlie", Esme lembrou ele.
"Tudo bem, vamos lá", ele me levou pela porta.
"Charlie está envolvido nisso?", eu perguntei com os dentes trincados.
"É claro", ele deu um sorriso largo.
Eu estava preocupada, então eu não reparei antes. Eu estava apenas vagamente consciente de um carro prateado, e eu presumiu que fosse o Volvo. Mas aí ele se abaixou tanto pra me colocar dentro dele que eu pensei que ele ia me sentar no chão.
"O que é isso?" Eu perguntei, surpresa por me encontrar dentro de um conversível estranho. ?Onde está o Volvo??
?O Volvo é o meu carro de todo dia", ele me disse cuidadosamente, com medo que eu tivesse outro chilique. "Esse é um carro pra ocasiões especiais".
"O que Charlie vai pensar?" Eu balancei a minha cabeça desaprovando enquanto ele entrava e ligava o motor. Ele ronronou.
"Oh, a maior parte da população de Forks acha que Carlisle é um ávido colecionador de carro", ele acelerou pela floresta em direção á estrada.
"E ele não é?"
"Não, esse é mais o meu passatempo. Rosalie coleciona carros também, mas ela prefere brincar com seus interiores do que andar neles. Ela fez um monte de modificações nesse aqui pra mim".
Eu ainda estava me perguntando porque estávamos voltando para a casa de Charlie quando nós paramos na frente dela.
A luz da varanda estava acesa, apesar de não estar completamente escuro ainda. Charlie devia estar esperando, provavelmente espiando pelas janelas agora. Eu comecei a corar, imaginando qual seria a primeira reação do meu pai ao ver um vestido similar ao que eu estava usando.
Edward andou pela frente do carro, devagar pra ele, pra abrir a porta pra mim - confirmando as minhas suspeitas de que Charlie estava observando.
Então, enquanto Edward estava me tirando do pequeno carro, Charlie - muito descaracteristicamente - veio nos receber no quintal. Minhas bochechas queimaram; Edward percebeu e olhou pra mim questionando. Mas eu não precisava ter me preocupado. Charlie nem olhou pra mim.
"É um Aston Martin?", ele perguntou com uma voz reverencial.
"Sim - o Vanquish" Os cantos da boca dele se contorceram, mas ele se controlou.
Charlie soltou um assobio baixinho.
"Quer dar uma chance a ele?" Edward levantou a chave.
Os olhos de Charlie finalmente deixaram o carro. Ele olhou pra Edward sem acreditar - iluminado por uma pontada de esperança.
"Não", ele disse relutante. "O que o seu pai iria dizer?"
"Carlisle não vai se importar nem um pouco" Edward disse sinceramente, sorrindo. "Vá em frente". Ele pressionou a chave na mão ansiosa de Charlie.
"Bem, só uma voltinha rápida..."
Charlie já estava alisando a maçaneta com uma das mãos.
Edward me ajudou a ir tropeçando até a porta, me pegando no colo assim que estávamos do lado de dentro, e me carregando até a cozinha.
"Isso funcionou bem", eu disse. "Ele nem teve uma chance de enlouquecer por causa do vestido".
Edward piscou, "Eu não tinha pensado nisso", ele admitiu. Os olhos dele analisaram o meu vestido de novo com uma expressão crítica. "Eu acho que é bom nós não estarmos na caminhonete, seja ela um clássico ou não".
Eu tirei os olhos do rosto dele sem vontade por tempo suficiente pra perceber que a cozinha estava estranhamente escura.
Haviam velas na mesa, muitas delas, talvez vinte ou trinta velas altas, brancas. A mesa velha estava escondida por uma toalha longa, branca, assim como as duas cadeiras. "Foi nisso que você esteve trabalhando hoje?"
"Não - isso só levou meio segundo. Foi a comida que levou o dia inteiro. Eu sei que você acha que restaurantes chiques são subjugadores, não que existam muitos restaurantes que se encaixem nessa categoria aqui, mas eu decidi que você não podia reclamar da sua própria cozinha".
Ele me sentou em uma das cadeiras cobertas de branco, e começou a tirar coisas do forno e da geladeira. Eu percebi que só havia um lugar posto.
"Você não vai alimentar Charlie também? Ele vai ter que voltar pra casa alguma hora". "Charlie não agüentaria comer mais nada - que você acha que experimentou tudo pra mim? Eu tinha que ter certeza de que estava comestível". Ele colocou um prato na minha frente, cheio de coisa que pareciam muito comestíveis.
Eu suspirei.
"Você ainda está com raiva?" Ele puxou a outra cadeira do outro lado da mesa pra poder se sentar perto de mim.
"Não. Bem, sim, mas não exatamente nesse momento. Eu só estava pensando - lá se vai, a única coisa que eu sabia fazer melhor do que você. Isso parece ótimo" eu suspirei de novo. Ele gargalhou. "Você ainda não experimentou - seja otimista, talvez esteja horrível?. Eu dei uma mordida, pausei, e fiz uma careta.
"Está horrível?", ele perguntou, chocado.
"Não, está fabuloso, naturalmente".
Isso é um alívio", ele sorriu, tão lindo. "Não fique preocupada, ainda tem muitas outras coisas que você faz melhor".
"Diga só uma".
Ele não respondeu no início, ele só passou levemente o seu dedo gelado na linha do meu osso da clavícula, me olhando nos olhos até que eu senti a minha pele queimar e ficar vermelha.
"Há isso", ele murmurou, tocando o rubor nas minhas bochechas. "Eu nunca ví alguém corar tão bem quanto você".
"Maravilhoso", eu fiz uma carranca. "Reações involuntárias - uma coisa da qual eu posso me orgulhar".
"Você também é a pessoa mais corajosa que eu conheço".
"Corajosa?", eu zombei.
"Você passa todo o seu tempo cercada de vampiros; isso requer alguns nervos. E você não hesita em se colocar em perigosa proximidade dos meus dentes..."
Eu balancei a minha cabeça. "Eu sabia que você não ia encontrar nada".
Ele riu. "Eu estou falando sério, sabe. Mas não importa. Coma". Ele pegou o garfo de mim, impaciente, e começou a me dar a comida na boca. A comida estava perfeita, é claro.
Charlie chegou quando eu estava quase terminando. Eu observei o rosto dele cuidadosamente, mas a minha sorte estava com tudo, ele estava muito deslumbrado com o carro pra reparar em como eu estava vestida. Ele jogou as chaves de volta pra Edward.
"Obrigado, Edward", ele disse sonhador. "Aquele sim é um carro".
"De nada".
"Como é que foi?" Charlie olhou pro meu prato vazio. "Perfeito", eu suspirei.
"Sabe, Bella, eu acho que você devia deixar ele praticar cozinhar pra gente de novo uma hora dessas", ele sugeriu.
Eu dei uma olhada obscura pra Edward. "Eu tenho certeza que ele vem, pai". Não foi até que chegássemos na porta que Charlie acordou completamente. Charlie estava com o braço na minha cintura, pra me equilibrar e me apoiar, enquanto eu mancava no sapato instável.
"Umm, você pare... bem adulta, Bella", eu podia ouvir o início das suas desaprovações de pai aparecendo.
"Alice me vestiu. Eu não tive a oportunidade de dizer muita coisa". Edward riu tão baixo que só eu pude ouvir.
"Bem, se Alice..." ele parou, um pouco maleável. "Você está bonita, Bells", ele pausou, com um leve brilho nos olhos. "Então, será que eu devo esperar mais jovens de smoking aparecendo por aqui essa noite?"
Eu gemi e Edward riu silenciosamente. Como alguém podia ser tão cego como Tyler, eu não podia saber. Não era como se Edward e eu fizéssemos segredo na escola. Nós chegávamos e íamos embora juntos, ele meio que me carregava até as salas de aula, eu me sentava com ele e sua família todos os dias no almoço, e ele também não era muito tímido em relação a me beijar na frente de testemunhas. Tyler claramente precisava de ajuda profissional.
"Eu espero que sim", Edward sorriu pro meu pai. "A geladeira está cheia de sobras - diga pra eles se sentirem á vontade".
"Eu acho que não - elas são minhas", Charlie murmurou.
"Pergunte os nomes por mim, Charlie", o traço de ameaça na voz dele provavelmente só era audível pra mim.
"Oh, já basta!", eu ordenei.
Graças á Deus, nós finalmente entramos no carro e fomos embora.

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